Empoderamento – poder ou frustração?

Ultimamente esta palavra tem sido motivo de muita reflexão e auto questionamento. Será que vale a pena? Não será mais fácil as mulheres/casais ficarem na ignorância?

Pois…mais fácil seria sim, mas se é fácil então não é para mim. Não aprecio “solos” muito moles e vazios de conteúdo. Gosto de ver os vários lados de uma mesma situação e sigo sempre uma máxima quando tenho dúvidas: “o que faria o Amor”? Encontro sempre uma resposta. Se é a mais simples? Não! Por vezes é mesmo a mais desafiante, a mais dolorosa e aquela que me leva muitas vezes às lágrimas.

Na última semana, várias mulheres/casais que acompanhei e que coincidentemente ou não (não acredito em coincidências), foram todas vítimas de violência obstétrica. Sim…leram bem…violência obstétrica (VO)!

Relatam acerca dos seus partos e choram como uma dor que estivesse ainda muito presente; descrevem-nos como “nunca vou esquecer o que vivi aqui”.

Este tema de VO, daria uma outra reflexão. No entanto, VO, passa muito por humilhar, coagir, desrespeitar e não informar. Foi tudo isto a que estas mulheres tiveram direito. Os seus acompanhantes (seus guardiões naquele momento) do seu lado e ainda assim pouco ou nada conseguiram dizer ou fazer!

Foi uma semana dura, principalmente para estes casais, mas não menos para mim!

Conhecimento e Informação é poder sim, mas até para isso é necessário equilíbrio.

Sou a mulher do Amor como muitos me conhecem, mas percebi ao longo da minha história e percurso que mais que Amor, é necessário este “equilibrio”

Foi em 2018 que me demiti; foi em 2020 que voltei a dedicar-me à gravidez e ao parto e foi em 2021 que percebi que afinal há toda uma outra forma de nascer; há todo um outro mundo ligado ao parto. E sabem com quem percebi isto? Preparem-se agora os médicos e as EESMOS…foi com uma doula que entendi o tanto que há ainda para crescer e aprender. Foi com uma doula que presenciei e acompanhei um TP sem a necessidade constante de monitorizar mãe e bebé; que percebi que não tenho que fazer uma observação vaginal de h/h; que tive a firme certeza que a mulher em TP, nos dá os sinais necessários a percebermos a evolução desta jornada tão transformadora que é colocar um ser humano no mundo. Obrigada Gonçalo, Vânia e Noa. Obrigada à doula Ana João Carvalho por esta luz.

Percebi e compreendi então, que se já muito tinha estudado, muito havia ainda para estudar. Inscrevi-me em várias formações ligadas ao parto fisiológico e o caminho tem sido incrível de aprendizagem e descoberta.

E é isto que transmito aos casais. O conhecimento do seu próprio corpo; da sua capacidade de passar pelo processo de parto; da necessidade que mãe e bebé têm de se vincular e como o parto pode implicar positiva ou negativamente o amor que nutrem um pelo outro e consequentemente pelo mundo.

Sou filha da VO. Uma cesariana retirada à mãe logo de seguida sem contacto com esta figura durante horas a fio; não sei o que é amamentação…apenas conheci tetinas e biberões; não percebi desde início o que é vinculação materna, mas sei e sinto a dor do “abandono” desde sempre. Obrigada mãe por tudo!

Não quero isto para vós e por isso tenho esta missão de partilhar convosco toda esta informação, todo este conhecimento de vocês próprias. Isto é acima de tudo – empoderamento.

E empoderamento é o quê afinal? Primeiro dizer-vos que este termo deriva da palavra inglesa “empowerment” e que segundo o autor Chiavenato, ela aumenta a auto estima das pessoas, ficando com um maior controlo delas próprias e das suas decisões. Tornando-as portanto mais autónomas

Pois é mesmo isto que os profissionais do parto hospitalar não estavam habituados. Nem mesma eu que durante duas décadas lá trabalhei.

Fomos ensinados a controlar tudo e fomos instruídos a que nós é que sabíamos o melhor para vós e para o vosso bebé.

O nosso ego engordou de tal forma com o passar dos tempos, que não está a ser fácil emagrecê-los e sair de um lugar de poder. Durante décadas os médicos foram “endeuzados” e ainda hoje, muitos deles gostam deste lugar. Aliás…adoram, e ai de quem os questione ou contraponha!

Logo, quando a mulher/casal questiona; reclama; contradiz…muitas vezes chega também por parte destes profissionais, um tom mais elevado; uma voz mais agressiva e frases como “eu é que sei e não você”; “isso do parto natural é da idade média”; “agora andam aí com essas modernices”, e muitas outras que daria aqui um texto enorme.

É mesmo aqui que tudo pára; é mesmo aqui que se vai perdendo a força de contradizer e reclamar. O momento que seria de magia e luz, tornou-se escuro e muitas vezes de “terror” (palavras de mulheres); o lugar onde a mulher achou que iria conduzir o seu TP, tornou-se completamente conduzido por estes profissionais, que fazem o que querem sem informar nem tão pouco pedindo consentimento.

É um sabor agridoce que todos sentimos (eu inclusivé) e que nos faz questionar e muitas vezes chorar.

Após a tempestade virá a bonança e depois de todas estas histórias, sinto necessidade de lhes dar “colo”, muito amor e de lhes dizer que mesmo perante a humilhação, elas/eles foram incríveis e persistentes. São acima de tudo umas heroínas.

O que está errado não são as mulheres, mas sim um sistema (SNS) que não está “montado” para dar o melhor à mulher/casal/bebé, mas sim para os despachar o mais rápido possível; o que está errado não são elas que apenas quiseram informação de si próprias, mas sim de profissionais de “egos gordos” e “humildades definhadas” que insistem em fazer igual há anos, com uma informação completamente obsoleta, gostando que elas sejam as mulheres “bem comportadas” e não demasiadamente informadas.

Vou então continuar este caminho de sabor “agridoce”, mas que me deixa super feliz. A “Renascer” é uma missão de alma. Sou mais uma voz de Michel Odent e com ele quero continuar a crescer e aprender, pois acredito que “para mudar o mundo é importante mudar a forma de nascer”.

Às mulheres/casais, quero deixar claro que informação é poder sim. Gerir a frustração e procurar o equilíbrio é algo que também gosto de partilhar convosco, pois se chegar o momento que se tiverem que deixar fluir, lembrem-se sempre da Elisabete que diz: “afinal, está tudo certo” e o colinho dela virá já a seguir.

Aos profissionais do parto hospitalar, quero dizer que nas “escolas” que aprendi este novo olhar sobre o parto, aceitam mais inscrições e que a viagem é incrível, acreditem. Quem a fez, não volta a olhar a mulher/casal/parto e bebé da mesma forma. Muitos não voltam ao parto hospitalar (como é praticado na maioria das instituições). Porque será? Já se questionaram?

Juntem-se com humildade a este novo “olhar” sobre o parto e só juntos conseguiremos materializar um mundo diferente e melhor.

Construir um mundo com “Cristos” ou “Hitleres”…é uma escolha de cada um de nós!

EESMOS – Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia.

TP – Trabalho de parto

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